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Eu estava quebrada...

Publicação: 08/abr/2026
Testemunho: Rute

Houve um tempo em que eu dirigia chorando.

Não era um choro silencioso apenas. Era aquele choro misturado com revolta, com perguntas sem resposta, com uma dor tão profunda que parecia tomar conta de tudo. Eu havia passado pelo divórcio, e aquilo tinha me quebrado por dentro. Enquanto segurava o volante, eu resmungava com Deus, reclamava, brigava com Ele em pensamento e em palavras. Meu coração estava ferido, e da minha boca saíam frases que nasciam mais da confusão do que da verdade.

Eu perguntava por que o Senhor tinha deixado aquilo acontecer.

Dizia que, se Ele existisse mesmo, poderia ter me livrado daquela situação. Dizia que, se realmente cuidasse de mim, não teria permitido que meu casamento chegasse ao fim. Eu confiava em Deus. Eu acreditava que meu casamento seria para sempre, como o dos meus pais. Eu cria que Ele me guardaria, que sustentaria a minha casa, que impediria aquela ruptura. E, quando tudo desmoronou, foi como se eu tivesse me sentido traída pela própria esperança.

A dor me cegava.

Naquele dia, eu estava nesse estado. Chorando, murmurando, desabafando de forma dura com Deus, dizendo coisas que hoje sei que não eram verdade. Em meio a tudo isso, eu vinha dirigindo pelas ruas, num lugar onde não havia placas tradicionais de parada, apenas a palavra “STOP” pintada e sinalizada. E, naquele meu turbilhão interior, passei direto.

A polícia estava logo ali.

Assim que avancei, a viatura veio atrás de mim. No carro, estava comigo minha filha. Quando percebi que o policial havia parado atrás de nós, senti o peso da situação. Eu já estava emocionalmente abalada, e agora aquilo parecia mais uma confirmação, mais um problema, mais uma prova de que tudo estava dando errado.

Mas foi justamente ali, naquele momento, que eu disse algo ao Senhor.

Ainda tomada pela minha arrogância, pela minha dor e pelo meu atrevimento, falei com Deus de um jeito quase desafiador: “Está vendo? Então, se o Senhor me guarda mesmo, se o Senhor cuida de mim, me livra dessa.”

Era uma oração torta.

Um clamor ferido.

Uma frase atravessada pela rebeldia.

O policial se aproximou e pediu minha carteira de motorista e o documento do carro. Só que, naquela época, eu ainda não tinha carteira de motorista. Eu dirigia apenas com o passaporte. A situação era séria. Eu sabia disso. Enquanto eu tentava pegar os documentos, alguém chamou o policial pelo rádio. Ele então se afastou, foi para trás do meu carro e ficou algum tempo falando por ali.

Meu coração disparava.

Eu não sabia o que aconteceria.

Não sabia o que ele faria.

Não sabia como aquilo terminaria.

Até que, de repente, ele bateu na traseira do carro, chamou minha atenção com firmeza e gritou para que eu fosse embora.

Só isso.

Sem multa.

Sem mais perguntas.

Sem levar adiante uma situação que poderia ter se tornado muito complicada para mim.

Naquele instante, tudo mudou dentro de mim.

Eu entendi.

Entendi que Deus estava ali.

Entendi que Ele existia, sim.

Entendi que Ele me amava, mesmo quando eu estava ferida, confusa e dizendo coisas injustas sobre Ele.

Entendi que o cuidado de Deus não tinha deixado de existir só porque a minha vida não saiu como eu sonhei.

Ali, dentro daquele carro, depois de ter colocado Deus à prova de maneira tão errada, eu fui confrontada pela misericórdia dEle. Não por uma bronca visível. Não por uma condenação. Mas por um livramento tão claro, tão direto, tão inesperado, que eu já não podia continuar dizendo que Ele não cuidava de mim.

Nunca mais falei que Deus não existe.

Nunca mais falei que Ele não me ama.

Nunca mais falei que Ele não me guarda.

Muito pelo contrário.

Depois daquele dia, algo se firmou em mim de forma profunda. Passei a saber, não apenas a imaginar, que Deus cuida da gente até quando estamos confusos. Até quando estamos feridos. Até quando falamos o que não deveríamos falar. A nossa dor pode nos levar a dizer coisas que não correspondem à verdade. O sofrimento pode embaralhar a fé, pode escurecer o pensamento, pode nos fazer interpretar o silêncio de Deus como abandono. Mas o Senhor continua sendo quem Ele é, mesmo quando nós, por causa da dor, não conseguimos enxergar isso com clareza.

Foi isso que aquele momento me ensinou.

Deus foi bondoso comigo.

Misericordioso comigo.

Paciente comigo.

Mesmo em meio à minha ignorância, à minha revolta, à minha tristeza, Ele me mostrou que continuava no controle. Mostrou que ainda era Deus. Mostrou que não havia me deixado sozinha. E me mostrou também que o amor dEle não depende da perfeição da minha reação. Se dependesse, eu estaria perdida. Mas a misericórdia do Senhor vai ao encontro até mesmo dos seus filhos quando estão desordenados por dentro.

Esse testemunho ficou queimando no meu coração.

Eu nem sabia exatamente para quem precisava contá-lo, mas sentia que precisava falar. Porque sempre haverá alguém passando por uma dor parecida, atravessando um rompimento, uma perda, uma decepção, uma confusão tão grande que quase o leva a pensar que Deus se esqueceu dele. E não. Deus não se esquece.

Ele está presente também nas horas de angústia.

Às vezes, a intervenção dEle não vem da forma como esperávamos. Às vezes, Ele não impede a dor que queríamos evitar. Às vezes, Ele não conserva intacto aquilo que sonhávamos manter. Mas, mesmo assim, continua cuidando. Continua sustentando. Continua mostrando, de maneiras inesperadas, que nossa alma continua sendo preciosa para Ele.

Foi isso que aconteceu comigo.

Eu estava quebrada, mas Deus não me abandonou.

Eu estava revoltada, mas Deus não me rejeitou.

Eu estava confusa, mas Deus não deixou de ser Pai.

Naquele livramento, simples para alguns e gigantesco para mim, o Senhor respondeu não apenas a uma situação na estrada. Ele respondeu à minha alma. Era como se dissesse: “Eu ainda estou aqui. Eu ainda cuido de você. Você não entende tudo agora, mas Eu não deixei de ser Deus na sua vida.”

E essa certeza mudou algo em mim.

Desde então, aprendi que nem toda crise é prova da ausência de Deus. Muitas vezes, é justamente no meio da crise que Ele se revela com mais ternura. Não para satisfazer nossa rebeldia, mas para nos trazer de volta à verdade. Não para concordar com nossa revolta, mas para mostrar que continua sendo Pai. Um Pai real, santo, amoroso e presente.

Hoje, quando olho para trás, não vejo apenas uma mulher chorando ao volante. Vejo uma filha sendo alcançada pela misericórdia de Deus no meio da sua pior confusão. Vejo um coração ferido sendo visitado pela bondade divina. Vejo um livramento que foi muito mais do que escapar de uma multa ou de uma complicação legal. Foi um marco, um ponto de virada, um daqueles momentos em que o céu toca a terra no meio de um dia comum e nos lembra que o amor de Deus continua firme.

Esse amor permanece quando tudo vai bem e também quando tudo desaba. Permanece quando a fé está forte e também quando estamos lutando para não perdê-la. Deus não deixa de ser Deus porque estamos feridos, confusos ou cansados. O cuidado dEle não desaparece só porque a dor tenta nos convencer do contrário.

Se alguém ler estas palavras com o coração apertado, sentindo-se esquecido, frustrado ou abandonado, eu queria dizer com sinceridade: tenha cuidado com as conclusões que a dor tenta impor. A dor nem sempre diz a verdade. O desespero distorce. A confusão embaralha. Mas Deus continua presente, e o cuidado dEle pode se manifestar justamente quando você menos espera.

Eu vivi isso. E, por causa disso, não levanto mais a bandeira da dúvida. Hoje eu levanto a bandeira da honra e da glória ao Senhor Jesus, porque Ele é Deus, Ele cuida, Ele responde e continua presente nas horas de angústia. Mesmo quando eu estava quebrada, Ele não me abandonou.

Milagres & Graças (Vol 1)

Milagres & Graças (Vol 1)
Autor: GodMakes.com
Publicação: 10/abr/2026
Relatos de livramento, provisão, transformação e respostas de oração.
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